A BrasilAgro (AGRO3) encerrou o segundo trimestre de seu atual exercício, em dezembro, com prejuízo líquido de R$ 5,82 milhões. Apesar de negativo, o resultado representou uma melhora de 54,8% em comparação à perda de R$ 12,88 milhões do mesmo período do ciclo anterior.

A companhia ainda sentiu os efeitos da queda dos preços das commodities e do aumento dos custos agrícolas. A receita líquida total recuou 15%, para R$ 155,68 milhões. Já o lucro antes juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) passou de R$ 17,12 milhões para um prejuízo operacional de R$ 12,6 milhões.

A estabilidade da China em suas importações de grãos também pesaram sobre o resultado negativo no segundo trimestre do exerício. O desempenho só não foi pior porque os resultados financeiros trouxeram um certo alívio para o balanço.

“A melhora no resultado líquido foi por uma questão financeira, com derivativos e também com a queda na taxa de juros. Ainda que o volume de vendas tenha crescido, o impacto dos preços gerou um resultado operacional menor.”, disse Gustavo Javier Lopez, CFO da BrasilAgro, em conversa com jornalistas.

O executivo lembrou que grande parte dos resultados da companhia começa a ser gerado a partir deste trimestre, com o avanço da colheita. Agora, a expectativa é que haja uma menor volatilidade nos preços e custos de produção mais baixos.

O grande vilão entre outubro e dezembro foi o milho. No período, a companhia elevou em 22,6% o volume de vendas do cereal, que chegou a 65 mil toneladas. Contudo, com o aumento dos custos e a queda dos preços, a companhia registrou um prejuízo de R$ 81 em cada tonelada de milho comercializada.

Nos casos da cana e da soja, não houve prejuízo, mas as margens ficaram muito aquém das registradas no ano anterior. A BrasilAgro teve um ganho R$ 73 por tonelada de cana e de modestos R$ 2 por tonelada de soja.

Olhando adiante, André Guillaumon, CEO da BrasilAgro, projeta uma retomada das margens da companhia para médias históricas do setor, ao redor de 30%. Com a soja estável em cerca de US$ 12 na bolsa de Chicago e o dólar em torno de R$ 5, a expectativa é de recuperação dos resultados.

Contudo, o clima segue sob constante monitoramento. Em Mato Grosso, a primeira semana de colheita registrou uma produtividade de 50 sacas por hectare. Na segunda semana, o rendimento já foi de 65 sacas.

“Acreditamos que nossa produtividade em Mato Grosso será muito semelhante à do ano passado. As variedades precoces sofreram um pouco mais e o desafio agora é a chuva, que tem aumentado a umidade durante a colheita”, disse Guillaumon.

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