As feridas da infância nem sempre cicatrizam com o tempo.

Na verdade, muitas vezes acompanham-nos até à idade adulta, influenciando os nossos comportamentos de formas que talvez nem reconheçamos.

Essas mágoas profundas podem moldar a forma como interagimos com o mundo ao nosso redor, orientando sutilmente nossas decisões, reações e relacionamentos.

Indivíduos portadores dessas feridas geralmente apresentam certos padrões de comportamento.

Estar ciente disso pode ser o primeiro passo para a cura e o crescimento pessoal.

Neste artigo, exploraremos nove comportamentos comuns normalmente exibidos por adultos que carregam feridas de infância.

Então, vamos mergulhar e esclarecer esses sinais que muitas vezes passam despercebidos.

1) Sobrecompensação

Um dos comportamentos mais comuns observados em adultos portadores de feridas infantis é a supercompensação.

Este é normalmente um mecanismo de defesa, uma forma de compensar as áreas onde nos sentíamos inadequados ou deficientes quando crianças.

É uma tentativa inconsciente de reescrever a nossa história, de provar a nós mesmos e aos outros que não somos mais quem éramos.

Por exemplo, alguém que foi frequentemente criticado quando criança pode se tornar excessivamente perfeccionista, buscando constantemente a excelência em tudo o que faz.

Ou alguém que se sentiu negligenciado pode tornar-se excessivamente generoso, sempre colocando as necessidades dos outros antes das suas.

Mas embora esses comportamentos possam parecer positivos à primeira vista, muitas vezes podem levar ao esgotamento, ao ressentimento ou a sentimentos de vazio.

Reconhecer esse padrão é o primeiro passo para a cura – trata-se de compreender que você é suficiente, assim como é.

E que não há problema em relaxar, cuidar de si mesmo e abandonar esses padrões irrealistas.

2) Dificuldade em confiar nos outros

Falando por experiência própria, posso atestar que a dificuldade de confiar nos outros é outro padrão de comportamento comum entre adultos que carregam feridas de infância.

Quando criança, achei difícil depender dos adultos da minha vida.

Isto resultou numa crença profundamente arraigada de que não se pode confiar nas pessoas – uma crença que me acompanhou até a idade adulta.

Nos relacionamentos, tanto pessoais quanto profissionais, estava sempre esperando que o outro sapato caísse.

Eu mantinha as pessoas à distância, convencido de que elas acabariam me decepcionando.

Levei anos de introspecção e terapia para entender que se tratava de um mecanismo de defesa, nascido de minhas experiências de infância.

Compreender isso foi um ponto de viragem para mim.

Percebi que minhas experiências passadas estavam manchando meus relacionamentos atuais. Não foi fácil, mas com tempo, paciência e muito amor próprio aprendi a confiar mais nos outros.

3) Medo do abandono

O medo do abandono é outra característica comum entre adultos que carregam feridas de infância. Este medo muitas vezes decorre de experiências de negligência ou perda durante os anos de formação.

Aqueles que foram abandonados ou negligenciados quando crianças muitas vezes desenvolvem um estilo de apego “ansioso”.

Eles podem se tornar excessivamente pegajosos ou carentes em seus relacionamentos, buscando constantemente garantias e temendo serem deixados sozinhos.

Isso pode colocar uma pressão imensa nos relacionamentos, levando a uma profecia autorrealizável, em que o medo da pessoa de ser abandonada, na verdade, afasta os outros.

Com consciência e ajuda profissional, é possível desenvolver estilos de apego mais saudáveis ​​e superar esse medo.

4) Hipervigilância

Outro comportamento frequentemente apresentado por adultos que carregam feridas infantis é a hipervigilância.

Crescer em um ambiente instável ou inseguro pode deixar a criança constantemente alerta, sempre atenta ao perigo.

Este elevado estado de consciência pode persistir na idade adulta, resultando num indivíduo que está sempre em alerta máximo.

Isto pode manifestar-se de várias maneiras – sendo excessivamente sensível às críticas percebidas, antecipando constantemente resultados negativos ou estando excessivamente preocupado com a segurança e proteção.

Embora a hipervigilância possa ter sido uma estratégia de sobrevivência durante uma infância caótica, pode tornar-se exaustiva e provocar ansiedade na idade adulta.

5) Dificuldade em expressar emoções

Adultos que carregam feridas de infância muitas vezes têm dificuldade em expressar suas emoções.

Se, quando crianças, foram punidos ou ridicularizados por demonstrarem certas emoções, ou se cresceram num ambiente onde as emoções não eram discutidas abertamente, podem ter aprendido a suprimir os seus sentimentos.

Isso pode levar ao hábito de reprimir emoções na idade adulta, o que pode resultar em estresse, ansiedade e até problemas de saúde física.

Alternativamente, estes indivíduos podem expressar as suas emoções de uma forma volátil ou imprevisível, uma vez que nunca aprenderam formas saudáveis ​​de gerir os seus sentimentos.

Compreender este padrão e aprender formas mais saudáveis ​​de expressar e gerir emoções é fundamental para curar e levar uma vida mais equilibrada.

6) Baixa autoestima

No cerne de muitas feridas da infância está um sentimento profundo de indignidade.

Muitos adultos que carregam essas feridas muitas vezes lutam contra a baixa auto-estima.

Eles podem sentir que não são bons o suficiente, independentemente de suas realizações ou de como os outros os percebem. Esta pode ser uma experiência profundamente dolorosa e isolante.

Estes sentimentos de indignidade podem infiltrar-se em todos os aspectos da vida – relacionamentos, carreiras, crescimento pessoal. Pode impedir as pessoas de atingirem todo o seu potencial e experimentarem a felicidade genuína.

Mas o problema é o seguinte: você não é definido pelo seu passado ou pelas mensagens que recebeu quando criança.

A cura consiste em desafiar essas falsas crenças sobre você mesmo e abraçar a compreensão de que você é inerentemente digno e suficiente, assim como é.

7) Excessivamente defensivo

Quando a crítica parece um ataque e o feedback parece uma ameaça, muitas vezes você fica na defensiva. É um padrão que conheço muito bem.

Enquanto crescia, fui constantemente examinado, sempre sentindo que precisava justificar minhas ações ou decisões.

Isso resultou em uma reação instintiva para me defender quando me senti questionado ou criticado.

Esse comportamento defensivo pode criar barreiras nos relacionamentos e na comunicação.

Levei um tempo para reconhecer esse padrão e entender que nem toda crítica é um ataque ao meu caráter.

Romper com essa postura defensiva requer autoconsciência, paciência e disposição para ser vulnerável.

Trata-se de compreender que não há problema em cometer erros e que a crítica construtiva pode ser um caminho para o crescimento.

8) Luta com a intimidade

Adultos que carregam feridas de infância muitas vezes lutam com a intimidade.

Se as suas primeiras experiências lhes ensinaram que a proximidade leva à dor, poderão ter dificuldade em deixar os outros entrar, temendo a traição ou a mágoa.

Isso pode resultar em um padrão de evitar conexões profundas ou sabotar relacionamentos quando eles se aproximam demais.

Esse medo da intimidade pode fazer com que os indivíduos se sintam solitários e isolados, mesmo quando rodeados de pessoas.

9) Dificuldade de viver no presente

A coisa mais importante a compreender sobre levar as feridas da infância até à idade adulta é que muitas vezes isso pode roubar aos indivíduos a sua capacidade de viver plenamente no presente.

Assombrados pelo seu passado, eles podem encontrar-se constantemente ruminando sobre o que aconteceu ou antecipando ansiosamente o que está por vir.

Isso pode resultar na perda das alegrias e experiências do momento presente.

Aprender a viver no agora, a abandonar as mágoas do passado e as preocupações futuras, é um aspecto essencial da cura.

Trata-se de abraçar cada momento conforme ele chega, encontrar paz no agora e criar espaço para crescimento e felicidade.

Considerações finais: a cura começa com a consciência

Um aspecto fundamental desses comportamentos apresentados por adultos que carregam feridas de infância é que muitas vezes são respostas inconscientes, enraizadas em dores e traumas passados.

Mas a boa notícia é que a conscientização é o primeiro passo para a cura.

Reconhecer esses padrões, compreender suas origens e reconhecer a dor que os origina pode abrir caminho para uma profunda crescimento pessoal.

Não importa quão profundas sejam essas feridas, lembre-se de que seu passado não define você.

Com tempo, paciência, amor próprio e ajuda profissional se necessário, é perfeitamente possível curar e moldar o seu próprio destino.

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Formado em Educação Física, apaixonado por tecnologia, decidi criar o site news space em 2022 para divulgar meu trabalho, tenho como objetivo fornecer informações relevantes e descomplicadas sobre diversos assuntos, incluindo jogos, tecnologia, esportes, educação e muito mais.