Crescer não foi fácil.

Você estava cercado por pais que, apesar de seus melhores esforços, não conseguiam compreender o conceito de sensibilidade.

Você tentou se comunicar, explicar seus sentimentos, seus medos, seus sonhos, mas eles simplesmente não conseguiram.

E agora você é um adulto e está questionando o impacto da sua educação em quem você se tornou.

Às vezes é sutil, algo que você não consegue identificar.

Outras vezes, você percebe que talvez a maneira como você reage às situações ou como lida com os relacionamentos tenha algo a ver com aqueles primeiros anos de sua vida.

Neste artigo, vamos nos aprofundar nas características comuns que os adultos costumam desenvolver quando crescem com pais insensíveis.

Não estamos culpando ou apontando o dedo, apenas tentando entender como o nosso passado molda o nosso presente e talvez até o nosso futuro.

1) Resiliência excepcional

Crescer com pais insensíveis pode ser difícil. Você aprende desde cedo que não pode contar com eles para apoio emocional e, então, aprende a se defender sozinho.

Isso geralmente resulta em uma resiliência incrível. Você já lidou com situações difíceis antes, então está preparado para lidar com elas novamente.

Há uma espécie de força que advém de ter que navegar pelo campo minado emocional da sua infância, e isso muitas vezes é transferido para a idade adulta.

Sua capacidade de enfrentar as tempestades da vida, de se recompor após um revés, de continuar mesmo quando as coisas estão difíceis – tudo isso faz parte da sua resiliência.

Não se trata de ser insensível ou endurecido, mas de desenvolver uma certa resistência que lhe permita enfrentar os desafios da vida de frente.

É saber que você pode lidar com tudo o que surgir no seu caminho, porque você já o fez.

2) Dificuldade em expressar emoções

Quando criança, não fazia sentido compartilhar como eu me sentia. Meus pais não entendiam, não pareciam se importar ou, pior, consideravam meus sentimentos irrelevantes ou exagerados.

Ao passar por isso, você aprende a guardar seus sentimentos para si mesmo. Você os reprime, os empurra para baixo, finge que eles não existem.

E agora, como adulto, encontro-me lutando para expressar minhas emoções. É como se houvesse um muro entre o que sinto e minha capacidade de articulá-lo.

Posso estar triste, zangado, assustado ou até alegre, mas terei dificuldade em partilhar isso com os outros. Não é que eu não queira, é só que não sei como.

Esta incapacidade não afecta apenas as minhas relações pessoais; isso impacta minha vida profissional também. Quando as emoções são vistas como fraquezas, fica difícil mostrar qualquer vulnerabilidade, mesmo quando isso é justificado.

3) Autossuficiência excessiva

Na minha experiência, quando as pessoas que deveriam me nutrir e apoiar simplesmente não estavam presentes emocionalmente, não tive escolha a não ser confiar em mim mesmo.

Lembro-me de ter 10 anos e lidar com um valentão na escola. Em vez de confiar em meus pais, tentei lidar com isso sozinho. Não porque eu fosse corajoso nem nada, mas porque sabia que eles não entenderiam ou talvez nem se importassem.

Avancemos para agora e essa autossuficiência se tornou uma segunda natureza. Seja lidando com um colega de trabalho difícil ou enfrentando uma crise pessoal, meu primeiro instinto é resolver as coisas sozinho.

Pedir ajuda é como admitir a derrota, como se não fosse competente o suficiente para resolver as coisas sozinho. É uma mentalidade difícil de abandonar, mesmo quando sei que às vezes não há problema em confiar nos outros.

Ser independente é ótimo, mas esse tipo de autossuficiência excessiva às vezes pode parecer isolante. É como se eu estivesse em uma ilha de uma pessoa só, tentando cuidar de tudo sozinho, quando às vezes tudo que preciso é da ajuda de outra pessoa.

4) Hiperconsciência dos sentimentos dos outros

Enquanto crescia, tive que navegar pelo humor dos meus pais, tive que avaliar a situação antes de me expressar ou fazer um pedido. Foi como pisando em ovosavaliando constantemente suas reações para evitar qualquer conflito ou mal-entendido.

Este exercício resultou em um agudo senso de consciência em relação às emoções de outras pessoas. Eu me pego instantaneamente percebendo sinais sutis de desconforto, raiva ou tristeza nos outros.

Mas aqui está o que é realmente surpreendente. As crianças que crescem em tais ambientes desenvolvem frequentemente esta consciência intensificada como um mecanismo de sobrevivência. É uma forma de antecipar ameaças potenciais e reagir de acordo.

Então agora, como adulto, essa hiperconsciência tornou-se parte integrante de mim. Às vezes pode ser exaustivo estar sempre sintonizado com as emoções dos outros, mas também me ajuda a ter empatia por eles e a compreender melhor a sua perspectiva.

É como se eu tivesse desenvolvido um sexto sentido para os sentimentos das outras pessoas, só porque tive que ficar de olho nas emoções dos meus pais enquanto crescia.

5) Tendência ao perfeccionismo

Sempre senti essa necessidade de ser perfeito, de não errar. É como se eu estivesse tentando compensar alguma coisa, a falta de ligação emocional que tive com meus pais.

Ao crescer, os erros não foram tolerados. Um único erro pode levar a duras críticas ou mesmo à total indiferença. Então, aprendi a ter cuidado, a verificar tudo, a buscar a perfeição em todas as coisas.

Na idade adulta, essa tendência só se intensificou. Quer se trate de trabalho, relacionamentos ou projetos pessoais, encontro-me lutando por esse objetivo inatingível de perfeição. Não se trata apenas de ir bem; trata-se de não cometer erros.

Mas a realidade é que ninguém é perfeito. E embora a busca pela excelência possa ser produtiva, a busca constante pela perfeição pode levar a estresse e ansiedade desnecessários.

É uma característica com a qual ainda estou lutando, tentando entender que não há problema em ser imperfeito. Os erros fazem parte do processo de aprendizagem e não definem o meu valor.

6) Luta com a autoestima

Quando criança, a falta de apoio emocional e compreensão de meus pais me fez questionar meu valor. A insensibilidade deles me fez sentir que meus pensamentos e sentimentos não importavam.

Levando isso para a idade adulta, muitas vezes me vi lutando contra a auto-estima. É como uma batalha constante na minha cabeça, onde tento me convencer de que sou bom o suficiente, de que sou importante.

Suas palavras duras, sua atitude desdenhosa, tudo parecia sugerir que eu era inferior, que não merecia amor e respeito. E, infelizmente, esses sentimentos não desapareceram quando me tornei adulto.

Mesmo agora, quando alguém me elogia ou aprecia meu trabalho, uma parte de mim luta para acreditar. É como uma voz na minha cabeça que fica questionando meu valor.

É uma característica difícil de superar, essa luta com a autoestima. Mas estou aprendendo dia após dia a silenciar essa voz, a acreditar em mim mesmo e a entender que mereço amor e respeito como qualquer outra pessoa.

7) Desejo de validação

Crescendo com pais insensíveis, a aprovação deles era algo que parecia fora de alcance. Não importa o quanto eu tentasse, nunca parecia suficiente para eles.

Essa busca constante por sua validação foi transportada para minha vida adulta. Encontro-me buscando a aprovação de outras pessoas em todas as áreas da vida, seja no trabalho ou nos relacionamentos pessoais.

Uma conquista não parece completa até que alguém a reconheça. Uma decisão não parece certa a menos que alguém a aprove. É como se a validação deles me desse a garantia de que estou no caminho certo, de que estou bem.

Mas, no fundo, sei que esta validação externa é uma base instável para se confiar. O que mais importa é como eu me vejo, minhas conquistas e minhas decisões.

É uma luta, livrar-se disso necessidade de validação externa e aprendendo a confiar em meu próprio julgamento. Mas aos poucos estou chegando lá, aprendendo a me validar e me sentindo confiante na minha própria pele.

8) Capacidade de promover conexões profundas

Pode parecer contra-intuitivo, mas ao crescer com pais insensíveis, descobri uma força inesperada – a capacidade de formar conexões profundas e significativas.

Eu sei o que é se sentir ignorado e rejeitado. E por isso faço questão de ouvir, compreender e validar os sentimentos de quem está ao meu redor.

Como resultado, descobri que meus relacionamentos muitas vezes são mais profundos do que a maioria. Eu me conecto em um nível onde as emoções são expressadas livremente e profundamente compreendidas.

De certa forma, a insensibilidade que experimentei quando criança tornou-me mais sensível às emoções dos outros quando adulto. Isso me tornou mais compassivo, mais compreensivo e mais aberto para formar conexões baseadas no respeito mútuo e na empatia.

Não é uma jornada fácil conviver com essas características que foram moldadas por uma paternidade insensível. Mas compreendê-los é o primeiro passo para a cura e o crescimento. E embora a estrada possa ser longa e sinuosa, sei que estou no caminho certo.

Abraçando a jornada

Se você achar que essas características ressoam em suas próprias experiências, saiba que não está sozinho. Muitos de nós que tivemos pais insensíveis carregamos essas características até a idade adulta. Mas o importante a lembrar é que essas características não definem quem você é. Eles simplesmente fazem parte da sua jornada.

Não se trata de culpar nossos pais ou de relembrar o passado, mas de compreender como ele nos moldou. Trata-se de reconhecer essas características, compreender suas origens e usar esse conhecimento para fomentar crescimento pessoal.

Comece reconhecendo essas características em sua vida cotidiana. Quando eles aparecem? Como eles impactam seus relacionamentos? Sua carreira? Sua autoestima?

O autoconhecimento é o primeiro passo para a mudança. E uma vez conscientes, podemos começar a fazer escolhas conscientes que reflitam quem realmente somos e quem queremos ser.

Esta jornada não é fácil. É preciso coragem para confrontar essas partes de nós mesmos e disposição para mudar. Mas com tempo e paciência, podemos transformar essas características em pontos fortes.

Portanto, reserve um tempo para você. Pratique o amor próprio e autocompaixão. Priorize seu bem-estar mental e emocional.

Lembre-se sempre, você não está sozinho nesta jornada. Existe toda uma comunidade por aí que entende o que você está passando, que está trilhando o mesmo caminho.

E o mais importante, lembre-se de que, apesar do seu passado, você tem o poder de moldar o seu futuro da maneira que desejar. Nunca é tarde para iniciar esta jornada de autodescoberta e cura.

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Formado em Educação Física, apaixonado por tecnologia, decidi criar o site news space em 2022 para divulgar meu trabalho, tenho como objetivo fornecer informações relevantes e descomplicadas sobre diversos assuntos, incluindo jogos, tecnologia, esportes, educação e muito mais.